domingo, 19 de outubro de 2014

Saídas curtas do Porto de Lopetegui

Julen Lopetegui é um treinador com ideias bem vincadas quanto ao seu modelo de jogo. Uma delas é querer que a sua equipa jogue de pé para pé, sempre com saídas curtas, pretendendo ter muita posse de bola.

Quando queremos que a nossa equipa saia a jogar, necessitamos de preencher os espaços de forma a criar linhas de passe que nos permitam progredir no terreno.

A meu ver, é exatamente aqui que se encontra o grande erro tático de Lopetegui.

Vejamos as imagens:



Se repararmos, o Porto de Lopetegui sai a jogar com os centrai bem perto um do outro, com os laterais abertos e sem grande projeção, e com o médio defensivo bem afastado da linha defensiva, à espera que a bola entre em segunda fase de construção. 

Normalmente, o Porto apenas consegue sair de duas formas: ou com o lateral a jogar no espaço para o extremo, ou quando o central transporta a bola para frente, com riscos no 1x1. Isto acontece porque os laterais recebem sempre bola com um extremo adversário pela frente, tendo de passar outra vez ao central ou passando longo para o seu ala. Muitas perdas de bola acontecem quando o lateral tenta passar para dentro enfrentando a pressão do extremos e com as linhas de passe fechadas para o meio.

Sendo assim, como é que deveria ser o posicionamento da equipa para conseguir sair curto? Vejamos:


Quando uma equipa quer sair a jogar curto, deve ter uma ocupação agressiva dos espaços. Sendo assim, os centrais devem estar bem abertos, os laterais bem projetados (afim de receberem à frente do extremos adversário ou pelo menos fixar o seus adversários diretos) e um médio defensivo seguro em posse de bola, posicionando-se bem no meio dos centrais, sendo ele a decidir o rumo da jogada.

Desta forma, e com uma boa mobilidade dos médios interiores, conseguimos linhas de passe efetivas. 

De facto, com esta disposição em campo, obrigaremos o nosso adversário a manter os extremos (ou alas) bem recuados de forma a que a bola não entre nos laterais. Caso contrário, teremos os nossos laterais numa posição privilegiada para criar desequilíbrios.


Por vezes, não basta, a um treinador, ter uma ideia de jogo bonita. É necessário que a consiga materializar. A meu ver, até agora, Julen Lopetegui não conseguiu.

sábado, 11 de outubro de 2014

Como deve jogar a nossa Seleção com Fernando Santos

     Hoje é o primeiro dia de jogo da nova Seleção de Fernando Santos. A expectativa é grande para vermos qual será o seu onze.

     As indicações que temos até ao momento são bastante positivas, já que, ao contrário de Paulo Bento, Fernando Santos, parece ter entendido o óbvio - Portugal não tem Ponta de Lança. E, a meu ver, não tem que ter.

     Eu explico:




     Convencionou-se que todas as equipas tinham de jogar com um ponta de lança (um jogador com morfologia idêntica a um defesa central, com bom jogo aéreo, que segura bem a bola e finaliza facilmente). Jogar com um ponta de lança fixo significa que a equipa deve estar preparada para servir esse tipo de avançado utilizando um Modelo de Jogo (MJ) baseado (no seu processo ofensivo) em cruzamentos para a área.


     Acontece que nem todas as equipa têm de jogar dessa forma e, Portugal, com os seus jogadores, deve jogar de forma diferente.

     Dani, por ser um jogador de extrema qualidade, pode ocupar a posição mais avançada da nossa seleção, tendo naturalmente uma missão distinta dos nossos pontas de lança tradicionais. Nas fases de construção Dani pode ser um elemento a mais no meio campo ofensivo, criando superioridade numérica no miolo e dando mais uma opção de passe aos Médios portugueses, aparecendo depois, de trás para a frente para finalizar. Em fase defensiva pode ser o homem mais adiantado da equipa, estando sempre pronto para romper aquando da recuperação da posse de bola.

Ronaldo e Nani, defensivamente mantêm as suas rotinas, mas, no processo ofensivo, avançam para o meio em diagonal com e sem bola, ocupando lugares de finalização e abrindo espaço real para os laterais darem profundidade nas alas. Aliás, é dessa forma que Ronaldo e Nani se sentem mais à vontade em campo.

Todos os outros jogadores permanecem com as suas rotinas, pois as suas missões não têm alteração de maior, tanto no plano ofensivo como defensivo.

Esta, a meu ver, seria a formula do sucesso. Espero que Fernando Santos pense de forma parecida!





quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Clubes portugueses na Europa

Clubes portugueses na Europa

Quem escreve aqui hoje, não é o Miguel treinador mas sim o Miguel Vitoriano!


Porto e Benfica mostram que em Portugal, tudo é bem mais facilitado do que na Europa. Já o Vitória, demonstra que com árbitros isentos pode fazer frente a qualquer grande em Portugal, assim como o fez num estádio de um grande da Europa.

O Porto queixa-se de uma falta importante: a falta de Pedro Proença a apitar os seus jogos, inventando penaltis incríveis que disfarçam outra falta, a de qualidade que o seu futebol vem demonstrando.

O Benfica sofreu a dobrar pois não teve Bruno Esteves a expulsar um jogador do Pari SG assim como o fez no jogo de Guimarães. Neste caso, nem um árbitro daqueles dava pontos ao Benfica. A diferença de potencial foi tal, que certamente envergonhou os adeptos de uma equipa que, na voz do seu presidente, quer ir à final da champions!





sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Maior Espectáculo do Mundo

Sorte a nossa, privilegiados que assistiremos ao maior espectaculoso do mundo! Os maiores de sempre estarão lá, na maior Arena da Europa. Qual final do Campeonato do Mundo! Qual final da Champions! Nada se compara ao grande Barça Real


quinta-feira, 19 de abril de 2012

"El Loco" ou Génio Incompleto





















Não, não vou falar do nosso “loco” Abreu que tanto gostamos de ver no Bota Fogo e na seleção Uruguaia. Quero falar-vos de outro “loco”. Refiro-me a alguém que vive o futebol com uma paixão desmedida, alguém que luta pela utopia do jogo perfeito, de alguém que adora o protagonismo (das suas equipas) mas que é incapaz de dar entrevistas. Falo-vos de Marcelo Bielsa, o mais controverso entre os grandes treinadores mundiais.
Bielsa é um génio incompleto. É obcecado por dois momentos do jogo – organização ofensiva e transição defensiva. Se o jogo de futebol apenas contivesse esses dois momentos, certamente que Bielsa seria um mago lembrado para todo o sempre. Acontece que a grande paixão que o liga à posse e à tentativa de recuperar a bola instantaneamente logo após a perda, faz com que não dê a mesma importância a dois momentos essenciais de um jogo de futebol. Refiro-me pois claro ao memento defensivo e à transição ofensiva. Estes dois momentos têm a importância, por exemplo, de fazer de José Mourinho o melhor treinador de sempre, na minha humilde opinião.
Já vi Bielsa, em pleno seculo XXI jogar com uma defesa homem a homem. Já vi Bielsa alterar totalmente o método defensivo de um jogo para o outro. Já li que Bielsa descarrega uma enormidade de informação aos seus jogadores momentos antes do jogo. Mas por outro lado, sei que Bielsa consegue entrar na mente dos jogadores, sei que Bielsa trabalha de forma desmedida e apaixonada. Sei que Bielsa é o único mortal que, com um Athletic de Bilbao, consegue dominar totalmente um super rival como Manchester United numa eliminatória a duas mãos.
Acho portanto que Bielsa é um génio incompleto e por isso não ganha como Mourinho e Guardiola. Mas não deixa, por isso, de ser um treinador apaixonante que consegue feitos inacreditáveis e que coloca todas as suas equipas a jogar de forma fabulosa sempre que têm a bola e de forma asfixiante no momento da perda.
Lanço um desafio. Reparem, hoje, no jogo contra o Sporting, como reage o Athletic à perda de bola…

Algumas frases sobre “El Loco”

«Foi o treinador que mais me ensinou. Tem defeitos, como todos nós, mas é muito fácil trabalhar com ele. Possui uma capacidade inacreditável de mexer com a mente dos jogadores» Martín Posse

«Ele tinha planos grandiosos e exigia que jogássemos como uma equipa grande, para o título. Creio que para a maior parte dos jogadores isso terá sido fatal. As pernas tremeram-lhes.» Juan Esnaider

«Certo dia, o seu irmão Rafael encontrou Marcelo sozinho no meio do campo. Distraído, absorto nos pensamentos. Perguntou-lhe o que se passava e a resposta foi desarmante.«Estou a a pensar como fazer o Ortega entender em cinco minutos um conceito futebolístico que demora meia-hora a explicar». Ele sabia que a concentração do Ariel não durava muito tempo.» livro: As razões do louco

«Antes de aceitar ser treinador do Barcelona, o Guardiola consultou o maestro Bielsa. A conversa durou 11 horas. «Você conhece o lixo que rodeia o futebol e, ainda assim, quer ser treinador. Porquê? Gosta de sangue?», perguntou Bielsa a dada altura.» (…) O argentino ainda deixou um conselho a Pep para a relação com a imprensa. «É verdade. Disse-lhe que não dava entrevistas e que só falava em conferências de imprensa. «Dar entrevistas só a alguns? Não, isso é aproveitamento próprio.» A verdade é que Guardiola seguiu o conselho e faz exatamente o mesmo.» livro: As razões do louco

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Como observar um adversário

No futebol é banal uma equipa disputar um jogo e saber que há outras equipas a observá-la na bancada. Saem todos os dias nos jornais, notícias disso mesmo, referenciando que determinado clube enviou um elemento da sua equipa técnica com a missão de observar um adversário.
A questão que hoje lanço é a seguinte: O que é pertinente observar e como se faz essa observação de um adversário.
Na minha opinião estas duas questões terão sempre de passar por um entendimento entre o treinador da equipa e o observador. O treinador deve especificar, quer na forma, quer no conteúdo, aquilo que pretende que o observador observe e analise.
Deixo-vos um exemplo de uma das muitas observações que realizei. Aqui poderemos ver o que foi observado e de que foi analisada toda a informação









quarta-feira, 14 de março de 2012

Vitória, uma questão de identidade


Pela primeira vez neste blogue escrevo sobre o meu Vitória. Em altura eleitoral surgem ideias financeiras e estratégicas, ideias importantes mas que, a meu ver, nunca atingem a questão essencial e realmente estrutural para um clube grande e com uma massa adepta apaixonada como o Vitória. Chamemos-lhe IDENTIDADE FUTEBOLISTICA.
A minha ideia, não utópica, passa por uma Identidade/modelo de jogo à Vitória, praticada e treinada por todas as equipas, desde o plantel principal, passando pela equipa B e acabando na formação. Não quer dizer que todos joguem em 4-3-3 ou em 4-4-2, mas sim que todos conheçam, treinem e materializem em campo os grandes princípios de jogo do clube, independentemente do adversário, do campo ou da classificação actual da equipa. Este modelo tem como grande vantagem a adaptação rápida de atletas nas mudanças para escalões superiores bem como um aumento de afinidade entre a equipa e os seus sócios por força de um futebol ofensivo e atractivo implementado pelo clube.
Para que tenhamos uma perspectiva mais realista daquilo que falo, façamos um pequeno exercício mental. Imaginemos o nosso Vitória a jogar sempre num bloco alto, pressionando durante 90 minutos. Imaginemos um futebol em que a posse e o toque sejam pressupostos obrigatórios e que a reacção à perda de bola (transição defensiva) seja em pressing e não em recuperação. Imaginemos ainda a nossa equipa a realizar transições ofensivas apoiadas utilizando toda a largura e envolvendo muitos jogadores nesse momento de jogo. Imaginemos por fim uma equipa que sempre que possível joga rápido nas bolas paradas tentando tirar partido da desorganização momentânea dos adversários. Esta podia muito bem ser a nossa equipa!
Mas, se esta forma de pensar o futebol é tão boa e atractiva, então porque é que com excepção do Ajax e do Barcelona praticamente ninguém a utiliza?
A resposta é simples. Para que este modelo seja exequível é necessária uma equipa directiva à frente do futebol do clube que entenda o jogo e seja forte nas suas decisões. Uma equipa directiva com força e autonomia para contratar, mas principalmente para dizer NÃO em algumas circunstâncias. Depois é necessário que o treinador da equipa sénior seja escolhido com determinado perfil, pois se assim não for, passam a ser apenas as suas ideias a prevalecer deixando de haver uma identidade futebolística do clube. Assim o treinador X, com o perfil adequado, chega ao clube e toma conhecimento da sua identidade futebolística, um modelo no qual se identifica, utilizando-o e adaptando-o de uma forma rápida e natural.
É necessário ainda que haja um modelo de jogador à Vitória, construído desde a formação ou através de contratações que obedecem a um perfil bem definido, tanto do ponto de vista mental como do ponto de vista das suas características técnico-tácticas.
Podem achar que esta é apenas a minha utopia, mas acreditem, este é um modelo realista, já posto em prática numa dimensão diferente. Acho que esta é altura ideal para pensarmos no nosso clube de uma forma diferente, pois caso não tenham reparado, o Vitória tem um potencial impar mas ano após ano vem sendo banalizado por políticas erradas que acumuladas deram o resultado que infelizmente todos presenciamos.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Porto de Vítor Pereira, o pouco/muito que mudou

Muitas pessoas questionam-se, o que mudou neste Porto para o Porto da época passada?Para entendermos, não vamos fugir do essencial, a saber: praticamente o mesmo plantel e um treinador com a mesma metodologia do seu antecessor.
Existem inúmeros factores que concorrem para o rendimento de uma equipa. O facto de utilizarmos o mesmo modelo de jogo (aquilo que queremos que a nossa equipa faça em campo) e mesmo, os mesmos exercícios para fomentar esse mesmo modelo, não quer dizer que o resultado final seja igual. O mesmo exercício dado aos mesmos jogadores pode ter resultados diferentes se mudarmos apenas o treinador. Parece difícil de entender, mas de facto aquilo que o jogador recebe é sempre diferente de treinador para treinador. Podemos ir ainda mais longe, as mesmas palavras ditas na mesma altura podem ser recebidas de forma diferente por parte dos jogadores bastando para isso mudar o tom de voz ou a confiança com que essas palavras são ditas.
Ser treinador de top, como Vilas-Boas é, não é apenas dar o exercício X no dia Y. É, por exemplo, ter sensibilidade para entender que, no dia Y o exercício X deve ser realizado com o campo mais pequeno ou maior. O simples facto de alterarmos as dimensões do campo num exercício está a alterar a sua complexidade. Em determinadas alturas queremos que os nossos jogadores resolvam rápido e com êxito determinado problema criado num exercício de treino, aumentando assim a sua confiança e auto estima. Existem outras alturas em que queremos que os jogadores tenham mais dificuldade em resolver o problema criado nesse mesmo exercício. Isto não está nos livros, é necessário entender o que a equipa precisa em determinado momento, ou seja, ter sensibilidade.

Consigo notar também que o discurso de Vítor Pereira não é tão sólido como o de Vilas-Boas. Para que um jogador consiga explanar todo o seu potencial com regularidade, tem, em minha opinião, de acreditar cegamente no seu treinador. Tem de estar 100% do seu lado e olhar para ele como alguém muito importante para o seu rendimento. Parece-me que um adjunto, por melhor que seja, terá muitas dificuldades em gerar nos seus jogadores a confiança necessária para um rendimento superior.

Vítor Pereira pode até ser bom treinador. Acredito que na época passada tenha tido um papel decisivo nas vitórias do Porto. No entanto, parece-me que este ainda não era o seu ano como numero um de uma equipa que acabara de vencer o Campeonato e Liga Europa. O futuro encarregar-se-á de me dar ou não razão.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

As Escolhas de Paulo Bento

Ao contrário do que é habitual, vou comentar algo que não faz parte, de forma directa, do interior do jogo de futebol. Trata-se das escolhas de Paulo Bento, o nosso slecionador nacional.

Com um inicio muito positivo, utilizando, e bem, rotinas que alguns jogadores possuiam dos seus clubes Paulo Bento parecia tomar as melhores decisões com a simplicidade que o momento exigia. Ganhamos naturalmente num 4-3-3 que demosntrava dinamicas muito interessantes.
Com o decorrer dos jogos, e depois de uma estrondosa vitória sobre a Espanha, o nível exibicional começou a descer de forma muito preocupante, ao ponto de perdermos o encontro decisivo num desafio muito mal conseguido a todos os níveis. Por fim a excelente exibição frente à Bósnia na Luz.

Defendo que os treinadores devem ter tempo e espaço para desenvolverem as suas ideias e implementarem as rotinas que lhes parecem mais adequadas para as diversas situações. O lugar de Paulo Bento, bem como a sua competência como treinador, não me parece que esteja em causa. Os julgamentos fazem-se no final dos ciclos e aparentemente podemos julgar Paulo Bento de forma bem positiva. No entanto não gosto da pouca sensibilidade do seleccionador no que às suas escolhas respeita. Disciplina ditatorial, liderança demasiado imposta, pouca flexibilidade no trato. Em minha opinião temos os melhores jogadores do mundo e não nos podemos reduzir - sentimento tipicamente português - perante outras selecções como a Espanha, Holanda, Alemanha, Inglaterra ou mesmo Itália. Acho mesmo que com uma linha defensiva "super trabalhada" por Mourinho e Vilas Boas - Bosingwa, Pepe, Carvalho e Coentrão - um meio campo extremamente inteligente e quase perfeito nas transições com Veloso a Pivô e Meireles e Moutinho à sua frente e um ataque demolidor com Ronaldo Nani e Quaresma, poderíamos mesmo ser o principal candidato ao título Europeu.

Entendo Paulo Bento no caso Carvalho, não entendo no caso Bosingwa. Quem perde? Portugal. Mas mesmo com o fraquinho João Pereira e com o grande atleta Bruno Alves podemos chegar lá. O caminho torna-se é um pouco mais sinuoso!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Transições


A palavra “Transição” é provavelmente uma das mais utilizadas no futebol actual. No entanto são poucos aqueles que a utilizam de forma correcta. Para muitos uma “Transição Ofensiva” é uma forma pomposa de dizer “Contra-ataque” e uma “Transição Defensiva” não é mais do que a tradicional “Recuperação Defensiva”.
Parece-me importante esclarecer o que são afinal as transições e demonstrar que esses conceitos estão a ser mal empregues por muita gente com voz activa do nosso futebol.
Como já explicara em artigos anteriores o jogo de futebol divide-se em 4 momentos dinâmicos, a saber: organização ofensiva, organização defensiva, Transição Ofensiva e Transição Defensiva. Os momentos de transição são aqueles que estão entre os momentos ofensivos e defensivos.

Transição Ofensiva – É o momento em que a equipa recupera a posse de bola e tudo o que acontece logo após essa recuperação. Normalmente tem a duração de 3 a 8 segundos (dependendo dos autores)
Transição Defensiva: É o momento em que a equipa perde a posse de bola e tudo o que acontece logo após essa perda. Normalmente tem a duração de 3 a 8 segundos (dependendo dos autores)

Recuperar a posse de bola é bem diferente de realizar um Contra-ataque. Uma Transição Ofensiva pode proporcionar um contra-ataque, um ataque rápido ou um ataque posicional, dependendo das características da equipa e do nível de organização momentânea do adversário. Equipas muito evoluídas podem aproveitar ainda o momento de Transição Ofensiva para conservar simplesmente a posse de bola com o intuito de quebrar o ritmo de jogo ou mesmo de descansar com a mesma.
Numa Transição Defensiva não é líquido que aconteça uma recuperação defensiva pois, no primeiro momento da transição, ou seja, logo a após a perda de bola, a equipa pode optar por pressionar de imediato o adversário, encurtando as linhas em largura mas não recuando

Exemplos de Transições Ofensivas:



Exemplos de transições Defensivas:









quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Princípios do Barcelona - na prática

"Lógica do homem Livre" e "lógica do 3º homem", na prática


Como já explicara na publicação anterior, este Barça de Guardiola move-se por princípios bastante claros e simples. Tentarei de seguida mostrar, na prática, 2 desses princípios: a lógica do "homem livre" e a lógica do "3º homem". Estes são por ventura os principais pilares do jogo do Barcelona.



 1º.  A lógica do homem livre - A equipa encontra-se em 4-3-3 com os defesas centrais muito abertos (vértices da área), os laterais muito subidos, o triângulo do meio campo bem aberto e os extremos e o avançado muito subidos. Valdez toca num central e este conduz a bola até lhe sair ao caminho o avançado adversário. Aí, a bola é tocada para o Médio defensivo ou para o outro central (homem livre) ficando desde logo o primeiro adversário batido. Depois o médio defensivo (Busquet por exemplo) leva a bola, atacando o espaço, até lhe sair ao caminho outro adversário, aplicando-se de novo a lógica do homem livre. Praticamente é um conjunto de situações consecutivas de 2 contra 1.

2. O 3º Homem – Toda esta dinâmica complementa-se com este homem. O 3º homem é aquele que se encontra numa posição mais alta no terreno (avançados ou extremos, por exemplo) e que simplesmente pede a bola mas na verdade não a quer. A sua intenção é sempre tocar de imediato para os médios que se encontram nas suas posições, bem de frente para o jogo.
Exemplo prático: Busquet tem a bola e, à saída do seu adversário, passa-a a Villa que na verdade apenas fez o movimento de vir buscar, não para se virar e ficar com a bola, mas sim para a entregar, de primeira, a Xavi ou Iniesta que se encontram já numa posição privilegiada para definir a jogada.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Os segredos do Barcelona


O Barcelona de Guardiola é, em minha opinião, o melhor conceito de jogo de que há memória. Toda a gente se delicia com a forma como a bola é circulada e como os espaços são preenchidos, mas na prática ninguém consegue chegar perto daquela harmoniosa forma de jogar. Até aqueles que, publicamente, dizem identificar-se totalmente com este Barcelona não conseguem, de todo, fazer com que as suas equipas materializem o tão falado TIKI-TAK.
Mas, o que faz do Barça uma equipa tão diferente? Quais os princípios do seu jogo que lhes permitem fazer o que ninguém faz? É isso que vou tentar responder.

Todo este Barça é Guardiola e Guardiola, ao contrário do que dizem por aí, não é a cópia de Cruyff. Na cabeça deste super treinador está uma forte obsessão pela posse de bola, obsessão essa que nasceu do Barcelona de Cruyff (grande equipa, mas muito menos elaborada que o Barça actual) sendo, no entanto materializada de uma forma distinta.

Conceito base de todo o jogo do Barcelona - Efeito dominó:
 Fazer com que a bola saia do Guarda-redes e vá até aos avançados sem saltar etapas.
1.       A lógica do homem livre - A equipa encontra-se em 4-3-3 com os defesas centrais muito abertos (vértices da área), os laterais muito subidos, o triângulo do meio campo bem aberto e os extremos e o avançado muito subidos. Valdez toca num central e este conduz a bola até lhe sair ao caminho o avançado adversário. Aí, a bola é tocada para o Médio defensivo ou para o outro central (homem livre) ficando desde logo o primeiro adversário batido. Depois o médio defensivo (Busquet por exemplo) leva a bola, atacando o espaço, até lhe sair ao caminho outro adversário, aplicando-se de novo a lógica do homem livre. Praticamente é um conjunto de situações consecutivas de 2 contra 1.
2.       O 3º Homem – Toda esta dinâmica complementa-se com este homem. O 3º homem é aquele que se encontra numa posição mais alta no terreno (avançados ou extremos, por exemplo) e que simplesmente pede a bola mas na verdade não a quer. A sua intenção é sempre tocar de imediato para os médios que se encontram nas suas posições, bem de frente para o jogo.
Exemplo prático: Busquet tem a bola e, à saída do seu adversário, passa-a a Villa que na verdade apenas fez o movimento de vir buscar, não para se virar e ficar com a bola, mas sim para a entregar, de primeira, a Xavi ou Iniesta que se encontram já numa posição privilegiada para definir a jogada.
3.       Sair sempre a jogar pelo meio – este princípio tem apenas uma excepção que se prende com o facto de os laterais conseguirem receber à frente dos seus adversários directos. Caso isso não suceda, Guardiola quer sempre que a equipa saia a jogar pelo meio libertando assim os extremos. Estes encontram-se em largura total e quando conseguem receber (depois de algum tiki-tak pelo meio já explicado mais a cima) vão quase sempre em diagonais para a baliza.
4.       Poucas trocas posicionais – Se repararmos vemos uma dinâmica fortíssima e mobilidade tremenda mas muito poucas trocas posicionais. Raramente vemos Pedro, por exemplo, a vir buscar ao meio e Iniesta a abrir numa ala. Este factor permite aos jogadores terem as suas missões melhor definidas e concentrarem-se assim apenas no que devem fazer nas suas posições.
5.       Atacar preparados para defender – Todo o jogo posicional do Barcelona (outra obsessão de Guardiola) caracteriza-se por ter sempre coberturas ofensivas – mais vulgarmente chamadas “apoios” – com uma dupla missão: dar sempre uma linha de passe segura ao portador da bola e, caso esta seja perdida, pressionar com tudo o adversário que a roubou. Desta forma Guardiola consegue que a sua posse de bola seja aumentada a dobrar, pois se por um lado apoia o portador da bola para que este não a perca, por outro, caso isso aconteça está logo pronto para a recuperar rapidamente.
6.       O segredo de Messi – O posicionamento de Messi é um dos grandes segredos para que seja, provavelmente, o melhor jogador do mundo. Quando a equipa ataca, este jogador tem liberdade total para ser o 4º homem do meio campo (aparece como homem livre e como 3º homem e quando se encontra mais aberto, faz ele as diagonais para o meio), tendo apenas a obrigação de aparecer na altura de finalizar. Quando a equipa perde a bola apenas se concentra em pressionar naquele momento (transição defensiva). Na prática, não tem mais nenhuma missão defensiva. Este facto faz com que Messi esteja sempre “fresco” para atacar.

Podia sem dúvida ser mais extensivo e falar de mais princípio desta super equipa e deste super treinador, mas parece-me que estes são o ADN desta equipa e o motivo pela qual ela é tão diferente de todas as outras equipas do mundo.

É minha intenção, no meu próximo artigo mostrar em vídeo todos os princípios que aqui vos falo. 


terça-feira, 20 de setembro de 2011

"Zona Pressing" como método defensivo de eleição


Antes de mais é importante esclarecer onde se enquadra o método defensivo “zona pressing” no jogo de futebol. Então partimos do princípio de que todo o jogo dinâmico da equipa está dividido em 4 momentos: organização ofensiva, organização defensiva, transição ofensiva e transição defensiva. Podemos, portanto, considerar o método defensivo “Zona Pressing” como um “grande princípio” da organização defensiva da equipa.


Mas será que todas as equipas defendem desta forma? Na verdade, não. Por vezes há treinadores que dizem que o fazem, mas na prática não é isso que acontece. De uma modo muito genérica e simples, para que todos entendam, existem 2 métodos de defender à zona utilizados no futebol actual: A zona/homem, que também lhe podemos chamar zona de marcação e a zona pressing.



A zona/homem é a zona mais utilizada, ainda, no futebol actual. Caracteriza-se pela responsabilização de cada jogador por determinada zona ou espaço. Caso o adversário “caia” nessa zona é sua missão marca-lo. Podemos dizer então que esta forma zonal de defender é passiva e deve adaptar-se à organização ofensiva do adversário.



A "zona pressing" é um método zonal defensivo que está em crescendo no futebol actual. Equipas como Barcelona, Real Madrid, Manchestes United, Chelsea, Benfica, Porto, etc, utilizam este método defensivo, oferecendo iniciativa defensiva aos seus jogadores e não os subjogando assim, às movimentações ofensivas dos adversários. Podemos caracterizar a zona pressing como uma combinação de pressões e coberturas* em que o mais importante não é o adversário, mas sim, a bola, os colegas e o espaço. Aqui a chamada “marcação” deixa de ter significado havendo lugar apenas a ajustamentos pontuais que variam  com posicionamento do adversário e que vão no sentido de dar sempre superioridade numérica à equipa. Com esta forma de defender pretende-se retirar tempo e espaço aos adversários para pensar e executar, tentando assim, forçar o erro e recuperar a bola o mais rápidamente possível.

Em minha opinião, a zona pressing requer um trabalho específico bastante complexo, no que ao treino diz respeito. Não podemos pedir às nossas equipas apenas que defendam em “zona pressing” (como fazem inúmeros treinadores). Temos sim, de treinar as nossas ideias defensivas para que os jogadores as conheçam e as consigam dominar.

*As coberturas não se fazem aos adversários,  como nos dizem alguns pseudo-experts do nosso futebol. Fazem-se sim aos nossos colegas fechando dessa forma determinados espaço e assegurando sempre uma possível dobra, caso o colega a quem fazemos a cobertura steja batido.